Blue Jay (2016) – Alexandre Lehmann

Já sentiu nostalgia por algo que não viveu? Foi exatamente este sentimento que tive assistindo Blue Jay.

Estou prestes a completar 28 anos. Sou mais nova que os protagonistas do filme, que estão na casa dos quarenta; mas mais velha que eles eram quando se relacionaram, aos 16 anos.

Já consigo ver certa beleza e tristeza em um reencontro que acontece por acaso, 24 anos depois do relacionamento deles ter acabado. Consigo entender que certos sonhos juvenis nem sempre são realizados, que a vida é muito mais dolorosa do que podemos imaginar na adolescência, que nem sempre o amor é o suficiente, por mais bonita que essa ideia pareça.

Completamente em preto e branco, o filme dirigido pelo estreante Alexandre Lehmann e roteirizado pelo próprio protagonista da película, Mark Duplass, é uma obra que deixa um sentimento agridoce e que te faz pensar na própria vida e nas escolhas que já fez e anda fazendo pelo caminho.

Blue Jay é realista, mesmo que pareça exatamente o oposto. Em cada movimento de câmera, onde o diretor não deixa que o espectador esqueça que aqueles momentos vividos pelos protagonistas, são uma quebra na realidade da vida de cada um. Que enquanto Amanda vai à casa de Jim e sente familiaridade com aquele local, sente saudade do passado e do próprio dono da casa, ela precisa ligar para o marido e avisar que chegou à sua cidade natal. As lembranças existem, alegram e doem ao mesmo tempo, mas é o que são: lembranças. Amanda e Jim são passado e o presente não é nada do que ambos imaginaram que seria, quando eram jovens demais pra ter ideia de como a vida pode ser cruel.

Sarah Paulson e Mark Duplass estão excelentes. Conseguimos enxergar a alegria e a dor que o reencontro causa; todas as coisas que inicialmente não são ditas, mas estão presentes naqueles poucos momentos juntos. Duas atuações muito sensíveis, em uma obra muito delicada.

Um filme extremamente belo, nostálgico e bastante doloroso. Curto, aparentemente simples, mas com muito para dizer.

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