Califórnia (2015) – Marina Person

Nasci no final dos anos 80, em 1988 para ser mais exata. A trama de Califórnia se passa alguns anos antes e, mesmo sem ter vivido aquela época, é impossível não sentir uma certa nostalgia que é fruto da sensibilidade da Marina Person ao dirigir o longa.
Com um tom relativamente autobiográfico a obra conta a história de Estela, uma menina que sonha em viajar para a Califórnia, lugar onde seu tio e grande amigo mora. Com muito jeito ela consegue dobrar o pai e troca sua festa de 15 anos pela viagem, onde fica combinado que ela fará uma road trip com o tio que tanto ama, interpretado dignamente por Caio Blat. Infelizmente a viagem acaba não acontecendo, porque ele acaba voltando para o Brasil e vai viver em sua casa. A jovem fica muito triste, mas logo percebe que algo não vai bem. Assim, segue sua vida, mesmo acalentando o desejo de conhecer os Estados Unidos.
Califórnia nos brinda com um retrato muito fiel do que é ser adolescente. As dúvidas, os medos, as paixões. A vontade de descobrir o mundo e a si mesmo. Com referências muito fortes da cultura pop no design de produção, na trilha sonora e até mesmo nas falas da protagonista o filme deixa claro que cada canção ou poster usado tem uma razão de ser. E isso apenas  enriquece a obra.
Apesar da trama aparentemente simples, o longa não deixa de trazer questões sociais importantes, como a situação política que o país vivia, os preconceitos tão pouco disfarçados, a situação dos homossexuais. É um filme sobre a trajetória de uma garota, mas também sobre o mundo em que ela está inserida.
A estreante Clara Gallo vive Estela com uma naturalidade absurda, transformando a possibilidade de pensar em outra atriz para o papel em algo absurdo. Seu parceiro de cena, Caio Horowicz tem uma presença muito forte e marcante, lembrando um Louis Garrel muito jovem e ainda se descobrindo. E Caio Blat nos brinda com uma interpretação absurdamente convincente e sensível, que permite ao expectador sentir completamente as dores e alegrias que o personagem sente. 
Um flme sobre amadurecimento, aprendizado. Sem deixar de ser uma declaração de amor aos anos 80. Extremamente belo e agradável.

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