O Caseiro (2016) – Julio Santi



Sempre que um filme brasileiro de suspense, drama ou horror consegue distribuição comercial fico extremamente feliz e com muita boa vontade com a produção. E juntando a isso uma sinopse interessante, fico mais satisfeita ainda.

O Caseiro é a nova produção nacional que parece fugir dos estereótipos novelescos tão comuns quando se pensa nas produções cinematográficas comerciais do país. Com uma trama de gênero, algo que ainda encontra muitas barreiras por aqui, o longa conta a história de Davi, um professor de psicologia que acaba de lançar um livro onde explica a relação de aparições sobrenaturais e a psique humana. Sua vida segue tranquila até que uma aluna chega pedindo ajuda em uma situação que vive com a família. Sua irmã parece assombrada pelo antigo caseiro da casa, que se suicidou e foi encontrado pelo pai da menina. Ele então viaja para o interior com o propósito de tentar descobrir o que anda acontecendo.

O longa interessa por ter uma premissa que, apesar de não ser nova, se bem desenvolvida, pode presentear o público com uma obra interessante e criativa. Em alguns aspectos o filme do diretor Julio Santi consegue chamar atenção.

A fotografia é bem executada, com um belo trabalho de luz e sombra que ajuda na ambientação da trama. A trilha sonora é interessante e mais um elemento cuja forma utilizada funciona de maneira positiva, e o enredo tem pontos que chamam atenção, mas também é onde se encontram os maiores problemas da trama.

Apesar de não ter pressa em contar os mistérios, várias das “surpresas” da história são facilmente identificáveis; além de ter um excesso de diálogos explicativos que poderiam ser transformados em ação. Algumas atitudes dos personagens parecem forçadas ou inverossímeis, o que é problemático.

As referências aos filmes de horror são óbvias. Seriam mais interessantes se não fossem repetidas à exaustão, da mesma forma que alguns enquadramentos. Os clichês de filmes do gênero são vários e incomodam. E a solução da trama segue a mesma linha.

No quesito interpretação, alguns atores estão bem e chamam atenção, como Leopoldo Pacheco, que interpreta o pai das meninas, que achou o caseiro morto quando criança. Ao mesmo tempo alguns atores parecem ter dificuldade para dizer o texto.

O Caseiro é um filme bem intencionado e agrada em várias coisas, mas apresenta alguns erros bastante incômodos. Ainda assim, vale a coragem de fazer cinema de gênero em um país que já apresenta diversas dificuldades para a produção audiovisual, e que elas são ainda maiores quando se fala de trabalhos do tipo deste longa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *