Voando Alto (Eddie the Eagle – 2016) – Dexter Fletcher

Filmes de superação estão sempre sendo lançados. Muitos, inclusive, são baseados em fatos; o que, atualmente parece ser uma característica do momento, já que vários dos lançamentos foram inspirados ou baseados em casos que realmente aconteceram. 
No caso de Voando Alto (estranho título brasileiro para Eddie the Eagle), vemos a história de Michael “Eddie” Edwards, um jovem britânico que nasceu em uma família pobre, teve problemas em seus joelhos enquanto criança e que sempre sonhou em participar de uma olimpíada. E mesmo com todas as probabilidades contra ele, jamais desistiu do seu sonho.
No filme, Eddie passa por diversos esportes, fracassando de diversas maneiras, até chegar naquele que talvez fosse o mais improvável e arriscado: salto em distancia com ski. E mais: não existia equipe na Inglaterra. Então, em uma das variadas liberdades que o filme toma com a história original, vai para a Alemanha e acaba sendo treinado por um antigo praticante do esporte que, apesar do incrível talento, não prosseguiu na carreira.
O tipo de narrativa que agrada famílias. Bonito, com doses razoáveis de humor, um pouco de drama e uma lição no final, Eddie the Eagle contempla vários públicos e consegue conquistar por conta do tipo de situação que o protagonista passa e como luta para conseguir superar seus obstáculos.
As interpretações são boas. Bronson Peary, interpretado pelo Hugh Jackman (X-Men) é o oposto do jovem sonhador. Chato, reclamão, bebe mais do que deve e passa longe de ser puro. No início quer distancia do jovem, mas acaba conquistado por sua persistência. O australiano é um ótimo ator e faz o que é necessário para criar um bom personagem. Só que quem brilha realmente é o Taron Egerton (kingsman). Interpretado com competência pelo jovem britânico, Eddie é cheio de maneirismos e transmite uma pureza surpreendente, além de ter um sonho bastante profundo e que faz ser difícil não torcer para que ele alcance os objetivos.
Apesar dos personagens que mesmo com seus defeitos são cativantes, o longa faz uso de vários clichês do gênero, o que pode ser um pouco incômodo para os mais atentos. O pai que não aceita que o filho seja atleta e fica tentando convencê-lo a ter uma profissão normal; as pessoas que não acreditam no talento do protagonista e tentam atingi-lo de várias formas; o antigo competidor que diz não para treinar o jovem, mas acaba sendo ajudando-o. As situações são diversas. É particularmente forçada uma cena em que o Peary vai visitar o Edwards no hospital, encontra um livro e lê um trecho sobre sua própria história e suas escolhas, em seguida se enxergam no espelho. Tudo isso com uma trilha emocionante ao fundo. A cena funciona, mas é um pouco desnecessário fazer o personagem mudar de ideia sobre ajudar o jovem atleta dessa maneira. 
Contudo é uma obra agradável, que mescla variados estilos de maneira competente e faz o público passar minutos bastante agradáveis dentro da sala de cinema. 

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