Ponte dos Espiões (2015) – Steven Spielberg

Um projeto que conta com os nomes de Steven Spielberg e Tom Hanks de cara chama atenção. Os dois são figuras influentes do cinema americano. Para quem acompanha a carreira de ambos uma pergunta vem logo a mente quando se pensa neles como uma dupla: será mais um filme extremamente patriota e maniqueísta, do tipo que apela para o emocional sem nenhuma necessidade? 
Roteirizado pelos conhecidos e competentes Irmãos Cohen, o filme conta uma história baseada em fatos. No final de 1950, quando a Guerra Fria estava em seu auge, o FBI aprisionou Rudolf Abel, um espião russo que se disfarçava de artista.  Para seu julgamento eles praticamente forçaram o íntegro James Donovan a ser seu advogado de defesa, homem que todos os influentes queriam que trabalhasse basicamente de fachada, permitindo uma condenação rápida do prisioneiro.  Apesar de não desejar estar na posição de advogado de defesa de um russo, como bom profissional e bom ser humano, James faz o que pode para defender seu cliente.
Metade do filme é focada na defesa de Abel por Donovan. A hostilidade que o personagem do Tom Hanks é obrigado a passar por conta do cliente que está a defender, a forma que sua família lida com tudo e o próprio relacionamento entre ele e Abel são os focos desse pedaço do filme. O respeito que se cria entre os dois homens, pessoas completamente diferentes, é interessante de se ver. A direção e a fotografia aproveitam para brincar com isso criam um jogo de espelhos entre eles e suas dualidades. Tudo caminha bem, a forma como o longa segue não peca por excesso de sentimentalismo barato ou de patriotismo exacerbado, comuns nos últimos filmes do cineasta, que costumava ser bastante inovador no passado. Pena que o filme tem uma segunda parte e é exatamente onde as coisas desandam um pouco.
Depois que alguns americanos são presos na Alemanha, o advogado vai para o país negociar uma troca. Se por um lado o filme é interessante ao dar um retrato da espionagem de uma forma talvez mais realista do que o cinema costuma mostrar, por outro começa a mostrar o lado piegas do realizador do longa. A segunda parte do filme é maniqueísta e previsível. O filme começa a encher o expectador de cenas apelando para o melodrama sem propósito que poderia ter ficado de fora do filme e faz com cenas que poderiam ser memoráveis acabem perdendo sua força. 
Tom Hanks é um excelente ator e consegue criar um personagem cativante. Um homem comum, com fragilidades e com uma força de caráter excepcional. Mark Rylance e outro que domina a sua arte e nesse filme consegue criar um personagem tridimensional e bastante carismático. Sua interpretação sutil é a melhor coisa de Ponte dos Espiões.
É um filme interessante de se ver, o melhor que o Spielberg fez nos últimos anos. Ainda assim poderia ser melhor se não estivesse o tempo inteiro tentando emocionar o público nem exagerando ao retratar o protagonista como herói americano, do tipo que sai do povo. Se fosse mais sutil nesses detalhes, talvez fosse uma obra memorável.

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