Joy (2015) – David O. Russell

David O. Russell é um diretor com uma filmografia, no mínimo, curiosa. Ele conseguiu fazer filmes interessantes e que demonstravam certa competência. O problema é que seus últimos trabalhos andam decaindo de maneira surpreendente.
Joy conta a história da personagem que dá título ao filme, uma mulher aparentemente comum, mãe de dois filhos, divorciada, com uma família problemática e que ela mesma tem que tomar conta. Um dia, por conta da necessidade, acaba inventando um esfregão revolucionário e tenta colocá-lo no mercado. A premissa é essa.
David O. Russell tenta fazer com que a obra se pareça com uma telenovela, daquelas canastronas, do tipo que a mãe da personagem principal do longa assiste o tempo todo. Poderia ser uma empreitada bem sucedida, já que mesmo com uma ideia bastante simples, um bom diretor pode ser capaz de transformar algo fraco em aceitável; mas o cineasta erra a mão em tudo e seu filme pode ser descrito como uma verdadeira bagunça. Do tipo que dá até vergonha de ver.
Com uma artificialidade que beira ao ridículo, os personagens ao redor da protagonista parecem vilões saídos de pesadelos, sem nenhuma tridimensionalidade. E sem nenhuma coerência também, já que uma hora eles demonstram ter carinho pela Joy, para logo em seguida serem retratados como verdadeiros crápulas. O roteiro, a montagem, a direção não prezam pela lógica e tudo parece simplesmente jogado na tela, sem nenhuma sentido. É o caso da narração que permeia todo o filme. Um artifício pobre e mal executado (apenas mais um em uma lista bem grande), que tenta dar um ar de fábula ao longa, mas só o deixa mais pobre.
Alguns dos atores ainda lutam para criar alguma profundidade em seus personagens, mas como o roteiro é absurdamente raso, as tentativas acabam fazendo com que tudo saia pior ainda. Jennifer Lawrence é jovem demais para viver a Joy e parece ter uma personalidade diferente em cada cena. E nenhuma das suas mudanças acontece de forma natural ou gradual. É tudo simplesmente jogado.
Joy abusa dos clichês e dos dos estereótipos femininos de mal gosto. É uma obra de fácil absorção e que tenta ser em prol dos direitos das mulheres. Infelizmente, como tudo no longa, não dá certo.
Não sei o que vem acontecendo com o cineasta nos últimos anos, mas espero que seus próximos projetos passem longe da decepção que foi este filme, que é uma vergonha para um realizador premiado como o David O. Russell.

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